29/05

Ele, eu e o “nós”

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Ele nunca foi metade do que eu queria pra mim, não até que eu o conhecesse de verdade. Ele não tinha paciência nenhuma e também detestava conversar comigo sobre o que achávamos que sentíamos um pelo outro. Ele tinha medo. Acho que ele sabia que a partir do momento que ele me deixasse entrar, eu não sairia ilesa. E ele tinha razão sobre isso.

Ele me dizia que a gente não daria certo nunca, porque eu jamais seria forte o suficiente pra aguentar seu mau humor matinal ou ate mesmo toda a amargura e sentimentos que ele ainda carregava dentro de si. Ele me lembrava todos os dias que eu era sentimental demais e que aquilo tudo que a gente tava vivendo, não passaria de uma aventura qualquer. E eu aceitei.

Ele sabia que eu o enxergava do jeito que ninguém mais conseguia. Eu tinha esperança nele e isso não podia acontecer, não pra ele.

Ele me abraçava forte e me beijava doce, mas quando eu finalmente abaixava a guarda e o abraçava por mais tempo que o permitido, ele recuava. Era sempre assim. Ele não queria me magoar, mas acabou me fazendo desabar. E querer.

Ele era forte e fraco ao mesmo tempo. Sempre dizia que eu trazia coisas boas pra vida dele. Eu concordava.

Ele era cítrico e ao mesmo tempo doce. Ele nunca se tocou do poder que tinha sobre mim e no tanto que eu pensava nele. Ele me lembrava que nada daquilo poderia ser real e que tudo não se passava de brincadeira, mas também beijava a minha mão e me segurava forte, porque naquele momento eu era dele, e ele era meu. Ele me olhava escondido enquanto eu ficava “distraída”, e sentia minha falta quando eu não estava presente. Foi aí que eu percebi. Percebi que ele também sentia. Ele havia me deixado entrar. “Nós” então, começou a existir.

O “nós” não era mais só eu e meus pensamentos, o “nós” era a gente.

Nós conversávamos todos os dias e não nos cansávamos dessa rotina. Nós sorríamos quando nos encontrávamos e também sabíamos exatamente o que o outro pensava enquanto olhávamos nos olhos um do outro. Eu me sentia segura e ele me procurava quando precisava de colo. Eu me apaixonei.

E então ele se foi.

Se foi, como disse que iria. Se foi, como prometeu que faria. Se foi, como eu nunca pensei que fosse. Ele se foi pra sempre. Sem chances, sem novas expectativas, apenas indo. Ele me disse que eu era boa demais, mas eu já não me importava com isso. Eu amei me aventurar por lugares desconhecidos, por lábios ansiosos e por promessas que nunca existiram. Eu amei olhar no olho e fingir que não o conhecia cinco minutos depois. Eu amei tudo aquilo. Eu amei não precisar me preocupar com o amanhã ou com as aparências. Eu amei ter ele por perto o tempo todo e ao mesmo tempo não ter. Eu amei o doce e o cítrico. Eu amei não precisar sentir, e sentir ao mesmo tempo.

Ele me perguntou se eu ficaria bem. Eu respondi que sim.

“Nós” nunca mais existiu.

Jaqueline
Oi, eu sou a Jaqueline, mas pode me chamar de Jaque! Tenho 22 anos, sou formada em Administração de Empresas, apaixonada por livros e a louca da fotografia.Adoro dias frios, seriados (♥) e a combinação dos dois também. É aqui que compartilho meus sonhos, minhas alegrias e minhas incertezas. Esse é meu mundo na internet, espero que goste!
Importa?
Essa tal saudade
Percepção de solidão


 

  • “Tem horas que a gente se arrepende de ter conhecido alguém”. Alguém que a gente se apegou, mais logo depois teve que dizer adeus por conta do destino. Não é exatamente se arrepender de ter conhecido, mais sim, de ter que dizer adeus. Seria tão bom que não tivesse que ser assim.

    Nossa Jaque, nem sei oque dizer desse post… Simplesmente um feche de memórias vieram à minha mente e acabei chorando por lembrar de algo que sei que nunca mais vai se tornar “real” outra vez.